O dorso da mão tem pouca proteção. Pele fina, quase nada de gordura, e logo abaixo os tendões extensores, os ossos do metacarpo, veias e ramos nervosos superficiais. Qualquer alteração nessas estruturas dói e costuma ser visível.
Como na maioria das pessoas a mão direita é a dominante, ela acumula mais carga e é a que mais apresenta esses quadros. Em canhotos, o padrão se inverte.
Principais causas
Tenossinovite dos extensores
É a causa mais comum. Os tendões que esticam os dedos passam por túneis no dorso do punho, e o excesso de uso inflama a bainha. A dor piora ao esticar os dedos contra resistência, ao digitar por longos períodos e ao carregar peso com a mão estendida. Pode haver inchaço em faixa e, em casos mais intensos, uma crepitação perceptível ao movimentar.
Cisto sinovial dorsal
O local clássico é o dorso do punho. Aparece como abaulamento que muda de tamanho, dói ao apoiar a mão para levantar do chão ou empurrar uma porta, e às vezes some sozinho. Pode doer antes mesmo de ser visível, quando ainda é pequeno e profundo. Está detalhado em cisto sinovial no punho.
Fratura oculta
Duas merecem atenção especial. A fratura do escafoide, na base do polegar, é a mais traiçoeira: dói pouco, aparece mal na radiografia inicial e, se não tratada, pode evoluir para não consolidação. A fratura do quinto metacarpo, conhecida como fratura do boxeador, ocorre após soco e deixa o dorso da mão inchado com afundamento da articulação do dedo mínimo.
Compressão do nervo radial superficial
Esse nervo corre logo sob a pele no dorso do punho e do polegar. Pulseira apertada, relógio justo, algemas e até o uso prolongado de aparelho ortopédico podem comprimi-lo, causando dor em queimação e dormência no dorso da mão, sem perda de força. É conhecida como síndrome de Wartenberg e está descrita em síndrome de Wartenberg.
Artrite e artrose
Inflamação das articulações do punho e dos metacarpos causa dor e inchaço dorsal. Rigidez matinal prolongada, acima de trinta minutos, e acometimento simétrico das duas mãos apontam para artrite inflamatória, que exige investigação própria.
Causas vasculares e infecciosas
Veia dolorida e endurecida no dorso sugere tromboflebite superficial, muito comum após punção para coleta ou soro. Vermelhidão que se espalha com calor e febre sugere infecção e é urgência.
Sinais de alerta
- Impossibilidade de esticar um ou mais dedos, que sugere ruptura de tendão.
- Deformidade, afundamento ou desvio após trauma.
- Inchaço com vermelhidão que se espalha, calor ou febre.
- Dor na base do polegar após queda, mesmo que leve, pela suspeita de escafoide.
- Dormência associada.
- Dor que piora progressivamente ao longo de semanas.
O ponto sobre o escafoide merece insistência: dor persistente na base do polegar após queda deve ser reavaliada mesmo com radiografia inicial normal, porque a fratura frequentemente só aparece dias depois.
Diagnóstico
O exame físico localiza o ponto exato, testa cada tendão isoladamente e avalia sensibilidade e estabilidade. A radiografia investiga fraturas e artrose. A ultrassonografia é excelente para tendões, bainhas e cistos, e permite avaliação dinâmica. A ressonância entra em suspeita de fratura oculta do escafoide, lesão ligamentar ou quando o diagnóstico não fecha.
Tratamento
Tenossinovite responde a repouso relativo, ajuste de atividade, órtese por período definido, gelo e terapia da mão. A infiltração é opção em casos que não cedem. Cisto sintomático pode ser observado, aspirado ou retirado. Fraturas exigem imobilização adequada ou fixação cirúrgica, conforme desvio e estabilidade. Compressão do nervo radial superficial melhora ao remover a causa da pressão, e é comum a simples troca de pulseira resolver.
Perguntas frequentes
Dor no dorso da mão sem ter batido é normal?
Costuma ser sobrecarga dos tendões extensores. Dor persistente por mais de duas semanas merece avaliação.
Caroço no dorso do punho é grave?
Quase sempre é cisto sinovial, benigno. O que preocupa é crescimento rápido, lesão fixa e endurecida ou dormência associada.
Radiografia normal descarta fratura?
Não no escafoide. Ele frequentemente não aparece na radiografia inicial, e dor persistente na base do polegar após queda exige reavaliação.
Gelo ou calor?
Gelo na fase aguda, com dor e inchaço. Calor ajuda mais em rigidez e desconforto crônico.
Se a dor persiste, limita o uso da mão ou veio depois de queda, uma consulta com especialista em mãos em Goiânia separa sobrecarga de lesão estrutural com exame e imagem.
Conteúdo atualizado em 27 de agosto de 2026.





